O cancro cítrico é um grave problema na produção de citros. Alguns de nós, paulistas mais velhos, lembramos da fiscalização nas estradas em que éramos proibidos de transportar frutas cítricas. Cada veículo era inspecionado e as frutas recolhidas ou consumidas no local. As medidas foram inócuas considerando que hoje temos cancro espalhado por todo o Estado de São Paulo.

Hoje, uma grande parte das exigências que pesam sobre o comércio atacadista e sobre os barracões de classificação de citros se devem à percepção do fruto cítrico como grande disseminador do cancro cítrico.

Entretanto a pesquisa publicada na revista científica Crop Protection 28 (2009) 508–524, por um grupo de pesquisadores americanos e argentinos, liderada por T. Gottwald do Serviço de Pesquisa do Ministério da Agricultura dos Estados Unidos da América do Norte 'The epidemiological significance of post-packinghouse survival of Xanthomonas citri subsp. citri for dissemination of Asiatic citrus canker via infected fruit' traz informações que implicam em grandes mudanças.

A pesquisa investigou o potencial de sobrevivência da bactéria Xanthomonas citri subsp. Citri, causadora do cancro cítrico, nas lesões de frutas cítricas contaminadas e examinou o potencial da fruta infectada como fonte de inóculo viável. Os resultados mostram que a bactéria sobrevive no fruto maduro na árvore, mas que a sua população decresce rapidamente depois da colheita, nos ferimentos nas frutas submetidas ou não aos tratamentos pós-colheita. A pesquisa também comprovou que frutas, com alta incidência de de cancro, não transmitem cancro mesmo em condições muito propícias de umidade e ventilação. Os autores concluem que a disseminação do cancro cítrico por frutos cítricos, com e sem sintomas de cancro, submetidos aos tratamentos pós-colheita na produção, é improvável. 

As conclusões exigem uma validação da pesquisa no Brasil e uma reavaliação dos procedimentos adotados pelo Sistema de Mitigação de Risco, sobretudo nas exigências que incidem sobre a comercialização e o transporte de frutos cítricos.

As medidas de convivência, controle e diminuição de cancro cítrico precisam ser adotadas na produção.

 

Anita de Souza Dias Gutierrez

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

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 Abril de 2018