A embalagem é um instrumento de identificação, de rastreabilidade, de proteção, de movimentação e de exposição do produto, da produção ao consumo. Elas são especialmente importantes no abastecimento de frutas e hortaliças frescas.

As frutas e hortaliças frescas são produtos especiais, sinônimo de saúde, beleza, diversidade de cores, formatos, texturas, sabores e de proximidade com a Natureza. O seu consumo cresce com o enriquecimento do país.

As frutas e hortaliças frescas são muito perecíveis e sensíveis – alto conteúdo de água, metabolismo intenso, textura macia. A sua comercialização é uma corrida contra o tempo. O seu valor na comercialização oscila muito e é função da sua aparência, do seu sabor, frescor e tamanho, da sua apresentação e da demanda e oferta de cada dia para cada produto.

A necessidade de abastecimento de um grande número de produtos e variedades ao longo de todo o ano exige produção em diferentes regiões do país, em épocas climaticamente mais adequadas a cada uma. A existência de um grande número de pequenos agricultores, especializados por produto ou grupo de produtos, produzindo, em diferentes épocas do ano, produtos frescos e perecíveis, torna muito complexa a movimentação da produção ao atacado e do atacado ao seu comprador – exige uma logística diferente, especial: que distribuir com eficiência e rapidez uma grande quantidade de volumes pequenos, contendo produto perecível, em embalagens de diferentes tamanhos, que não empilham umas sobre as outras.

O varejo e o serviço de alimentação precisam do mix de produtos todos os dias. Eles se abastecem, 3 a 4 vezes por semana, com um volume suficiente para atender às suas necessidades. Um caminhão de manga com 12 toneladas, por exemplo, pode abastecer 100 supermercados de médio a grande porte, com 20 caixas de manga para cada supermercado, em média. O supermercado terá que colocar na mesma carga mais 30 diferentes frutas e hortaliças.

A adoção da paletização cresceu muito nos últimos anos, tanto na movimentação de carga da produção até o mercado atacadista ou para as centrais de distribuição do varejo e do serviço de alimentação, quanto na sua movimentação para as lojas do varejo ou para os restaurantes.

A diversidade de tamanho, formato e matéria prima (papelão, madeira, plástico, isopor) de embalagens é grande mesmo para um mesmo produto. A consolidação de uma carga com diferentes produtos e variedades, de diferentes origens, é quase impossível. Demora e exige equilibrismo. O empilhamento de embalagens, de diferentes tamanhos e encaixes, é fonte de ferimentos, de perda de qualidade e de tempo de prateleira e do produto.

A solução é a padronização das medidas, formatos e encaixes das embalagens de frutas e hortaliças. O trabalho exige a parceria entre as organizações de empresas de diferentes tipos de embalagem, como a ABPO, o INP e a ABRE. A proposta é mais ambiciosa que a desenvolvida pela European Federation fo Corrugated Board Manufactures - Common Foot Print, restrita às empresas de papelão.

Proposta de trabalho

Objetivo: Desenvolvimento e adoção de embalagens de tamanhos modulares e com o mesmo tipo de encaixe, de diferentes matérias primas, que permitam a unificação de cargas mistas com embalagens de diferentes tamanhos e matéria prima.

Etapas do trabalho

1. Estabelecimento dos pesos das embalagens mais comuns para cada produto e variedade

2. Estabelecimento de peso padrão para a embalagem mais comum de cada produto.

3. Verificação da possibilidade de empilhamento de caixas de diferentes matérias primas.

4. Estabelecimento das medidas das embalagens mais comuns para cada produto, que permitam a paletização de cargas mistas (largura, comprimento, altura): famílias de embalagens

5. Parceria com as empresas de embalagens de papelão, plástico e madeira para a definição dos encaixes que permitam a carga mista de embalagens de diferentes tamanhos e matéria prima.

6. Estabelecimento de uma estratégia de mudança.

As duas primeiras etapas já foram realizadas pelos técnicos do Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP.

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Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

Novembro de 2017