As doenças são causas importantes de perdas pós-colheita de frutas e hortaliças frescas e de sua desvalorização e rejeição na comercialização. Elas precisam ser prevenidas e controladas. A identificação do patógeno é o primeiro e mais importante passo para a decisão de controle. A correta decisão envolve o conhecimento dos sintomas, da época mais adequada de prevenção e controle e do melhor tratamento – com ou sem a aplicação de fungicidas, por exemplo. O controle fitossanitário evoluiu muito nos últimos anos, com grande especificidade para o patógeno, menos perigo para o aplicador, meio ambiente e inimigos naturais, reforçando natural da planta. A sua eficiência depende da indicação correta do patógeno. Na prática o produtor é quem faz a diagnose do patógeno, já tem uma boa idéia do tratamento e reforça a sua diagnose na compra do defensivo. Os recursos para identificação visual ou não estão disponíveis para o produtor ou não são suficientes para uma boa diagnose.

O produtor e muitas vezes o técnico de campo não sabem, que em muitos casos, apesar da sintomatologia muito semelhante, são patógenos diferentes que exigem para o seu controle ingredientes ativos muito específicos. Tem tudo para dar errado. Diagnose errada leva ao não controle do patógeno, promove o surgimento de resistência ao defensivo, custa caro, e cria um risco desnecessário para o aplicador, para o meio ambiente, para o consumidor e um gasto desnecessário para o produtor. A parceria da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – CEAGESP com a Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios – APTA, Polo Regional Centro Sul, tem como objetivos a caracterização dos problemas pós-colheita, sua importância e de sua incidência segundo a percepção dos atacadistas, a identificação do patógeno em laboratório e a e o desenvolvimento uma ferramenta de diagnose visual do problema, da identificação da sua causa e de sua prevenção na produção e na comercialização.

A percepção da importância, da frequência da ocorrência dos problemas pós-colheita dos 27 atacadistas responsáveis por 80% do volume comercializado de mamão Formosa e mamão Havaí no Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) da CEAGESP, foi levantada. Onze dos atacadistas comercializam as duas variedades, 8 só comercializam Formosa e oito atacadistas só comercializam o Grupo Havaí.

A maior parte dos atacadistas (63%) não trabalha com refrigeração na lavoura, no transporte ou no atacado. A proporção de utilização da refrigeração pelos produtores é maior que pelos transportadores ou pelos atacadistas. Somente cinco (18%) dos atacadistas mantém a cadeia do frio, para uma parte ou totalidade do mamão – o produto é refrigerado na roça, transportado em caminhão frigorífico e armazenado refrigerado. A maioria dos atacadistas que possuem câmara de refrigeração só a utiliza para mamão que chegam refrigerado embalado em caixa de papelão. A quebra da cadeia do frio, tão prejudicial à sua qualidade, acontece em 20% do produto já refrigerado na roça, que não é refrigerado no transporte ou não é refrigerado no atacado (50%). A classificação do mamão Havaí é feita nas regiões produtoras (100%).

Os atacadistas que trabalham só com Mamão Havaí não possuem estruturas de classificação dentro ou fora da CEAGESP. Só dois atacadistas que trabalham com mamão Formosa recebem o produto classificado na produção, os outros fazem a classificação no mercado. Foi solicitado aos atacadistas entrevistados as características desejáveis e indesejáveis de cada variedade. As características citadas como mais desejáveis são sabor adequado e coloração (42%), tamanho (23%), seguidas por embalagem, sadio, boa aparência, durabilidade e ausência de danos físicos. As características mais indesejáveis são sabor (25% – amargo, imaturo, Brix baixo, sem sabor), doenças (23% - antracnose, doença, fungo, pinta preta, pintas), seguidas por mancha, tamanho, embalagem, muito maduro, danos físicos, podridão, amolecimento, aparência, classificação, excesso de oferta, ácaro e polpa mole. Foi solicitado aos atacadistas entrevistados que indicassem se haveria rejeição ou renegociação na ocorrência de alguns sintomas indesejáveis.

A ocorrência de dano profundo leva à rejeição por 61% dos entrevistados e à renegociação por 39%. A podridão de pedúnculo leva à rejeição por 55% dos entrevistados e à renegociação por 45%. A proporção % por tipo de embalagem, por variedade de mamão, foi levantada junto aos atacadistas. A maioria do Formosa é comercializado em embalagem de madeira: 16% dos atacadistas utilizam só embalagem de madeira, 58% utilizam mais que 50% de embalagem de madeira e 11% não utilizam embalagem de madeira. A embalagem de madeira predomina na comercialização de mamão Havaí, sendo que 21% dos entrevistados só trabalham com embalagem de madeira, 47% utilizam mais que com 50% de embalagem e madeira, e 21% não trabalham com embalagem de madeira. A utilização de embalagens plásticas está restrita ao mamão Formosa: 16% dos entrevistados embalam 50% ou mais do seu produto em embalagem plástica, 32% menos que 50% e 53% não utilizam embalagem plástica.

A embalagem de papelão é utilizada em mais de 50% do volume de mamão Havaí por 32% dos atacadistas de mamão Havaí e em mais de 50% do volume por 37% dos atacadistas de mamão Formosa. A próxima etapa do trabalho já começou com a coleta de frutos de mamão com sintomas. Os sintomas serão caracterizados e registrados fotograficamente e uma amostra será enviada para a identificação do patógeno no laboratório da APTA em Piracicaba.

O trabalho permitirá o desenvolvimento de uma ferramenta de identificação do problema, da sua causa e a orientação do produtor na sua prevenção. Agradecemos muito a colaboração dos atacadistas de mamão que estão participando do trabalho. Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP Entrevistas realizadas por Mayra Roberta de Souza - estagiária de agronomia Agosto de 2016