A produção, a diversidade de variedades e o consumo do caqui cresceram muito nos últimos anos. 

Entretanto, 2016 foi um ano de crise para os produtores de caqui, com diminuição de produção e grande ocorrência de doenças.

O Entreposto Terminal de São Paulo da CEAGESP é o grande centro de comercialização de caqui, tendo recebido em 2015 29 mil toneladas de caqui.

O estudo feito para compreender a dinâmica de comercialização do caqui e os seus principais problemas e desafios, utilizou a percepção dos principais atacadistas comerciantes de caqui, durante o período de safra de caqui. Foram entrevistados os vinte maiores comerciantes, responsáveis por 69% do volume comercializado no ETSP da CEAGESP em 2015.

Aqui estão alguns os resultados:

  1. O número de variedades diminuiu, com o quase desparecimento de oferta do caqui Taubaté, por sua pequena durabilidade na comercialização e aparecimento de manchas e estrias na pós-colheita.
  2. As variedades de maior volume, em ordem decrescente, são Rama Forte Guiombo, Fuyu e Kyoto e continuará assim nos próximos cinco anos com o crescimento da oferta da variedade Tokyogoshi.
  3.  A variedade Rama Forte é a de maior volume com 61% de participação, seguida pela variedade Guiombo com 24% da participação com perspectiva de diminuição, em razão da ocorrência da antracnose. A variedade Fuyu com 14% é seguida pela variedade Kyoto com 8% de participação.
  4. A textura é a característica mais utilizada para a descrição e diferenciação das variedades. A variedade Rama Forte é descrita como de textura mole e preço mais acessível. A variedade Guiombo é descrita como de textura crocante e polpa achocolatada, a variedade Fuyu como de textura crocante e sabor doce e a Kyoto como de textura crocante, sabor doce e polpa achocolatada.
  5. A antracnose, doença fúngica, que pode levar a perda de folhas e frutos foi citada entre os três problemas de maior importância para as variedades Fuyu e Guiombo. Não houve referências à doença para as variedades rama forte e kyoto.
  6. O sistema de destanização mais utilizado, segundo os entrevistados, foi a aplicação de etileno para o Rama Forte e álcool para o Guiombo.
  7. A embalagem de papelão é a mais utilizada (85%) no embalamento de caqui, seguida pela madeira (14%) e pelo plástico (0,30%).
  8. A oferta de Rama Forte está concentrada (93%) nos meses de fevereiro a maio, sendo março e abril os meses de maior volume com 61% do volume total, com pico em abril (36%).
  9. A oferta de Guiombo está concentrada nos meses de março a junho (91%), sendo abril (31%) o seu mês de maior oferta da variedade (31%).
  10. A oferta de Fuyu está concentrada nos meses de março a junho (88%), com pico de oferta em maio (32%).
  11. A oferta de Kyoto está concentrada nos meses de abril a julho (81%, com pico em abril (30%).
  12. Os problemas mais citados para todas as variedades foram o amolecimento e a colheita do fruto imaturo, antes de completar o seu desenvolvimento na árvore.
  13. A destanização inadequada foi citada como problema para as variedades adstringentes – Rama Forte e Guiombo. O tanino, presente nas variedades adstringentes (Rama Forte e Guiombo) também foi um defeito bastante significativo entre os permissionários.  
  14. A alta perecibilidade do caqui Rama Forte é registrada por 50 % das respostas como ‘muito perecível, rápida maturação, rapidez na venda e rápido amolecimento’.
  15. A fenda de base e a colheita de frutos imaturos foram os problemas mais citados para o Fuyu.  

Os resultados do estudo foram apresentados e debatidos no encontro ‘Decidindo o futuro do caqui’, realizado no dia 26 de julho de 2016, no Auditório Nelson Loda da CEAGESP, que contou com representantes de produtores das principais regiões produtoras, atacadistas comerciantes e técnicos que trabalham com caqui. Um documento com propostas concretas de melhoria será um dos resultados do encontro.

Mayra Roberta de Souza

Estagiária de agronomia do Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP em Horticultura da CEAGESP