O workshop ‘Sustentabilidade da cultura do pimentão: desafios e estratégias’, realizado em Bauru no dia 17 de maio de 2016, foi o primeiro resultado da parceria entre as instituições da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo – CATI, APTA e CDA e a CEAGESP e conseguiu reunir 99 técnicos da iniciativa privada e do governo e representantes das associações de produtores de pimentão.
O encontro foi um sucesso e conseguiu, com a união da experiência e do conhecimento dos técnicos e produtores presentes, definir os principais problemas e desafios da cultura do pimentão e propor estratégias de ação para um futuro sustentável.

A cultura do pimentão enfrenta grandes dificuldades como:
• A frequente ocorrência de resíduos de agrotóxicos não autorizados ou acima do limite que geram rejeição ao produto, processos do Ministério Público, restrição à entrada em alguns Ceasas, punição de produtores, atacadistas e varejistas que produziram e comercializaram o produto e prejuízo comercial;
• O alto índice de insucesso dos produtores, com rápida perda de produtividade e quebra comercial;
• Os erros gritantes de manejo de solo e de irrigação, que geram desequilíbrios nutricionais e salinização, inviabilizando o solo para novos cultivos;
• A ausência de medidas mínimas de prevenção de pragas e doenças, como a utilização de quebra ventos, de umidificação, de rotação de cultura, de adubação equilibrada;
• A inadequação das estufas;
• O uso indiscriminado de defensivos, que levam ao surgimento de novas pragas e doenças, à evolução da sua resistência aos defensivos existentes e a um grande crescimento da população de tripes e mosca branca, transmissores de virose;
• O manejo incorreto de alguns produtores, que inviabilizam a adoção de Boas Práticas por outros produtores;
• A desobediência de muitos produtores à orientação técnica dos seus consultores;
• A inexistência de uma Política de Defesa Sanitária Vegetal para a cultura.
• Os problemas existentes, se não solucionados, acabarão por inviabilizar a cultura do pimentão.

Algumas melhorias vêm acontecendo:
• O número de ingredientes ativos registrados para pimentão cresceu de 33 para 42, entre 2011 e 2016;
• Alguns produtores que utilizam tecnologias preventivas e brandas estão tendo bom resultado, em novas regiões de produção;
• A adoção do conhecimento agronômico já disponível permite a produção dentro de Boas Práticas Agrícolas e a prevenção de muitos dos problemas detectados.

A integração de ações de orientação técnica, de defesa sanitária e de melhoria da infraestrutura é a solução, através de:
1. A elaboração de um manual técnico de Boas Práticas Agrícolas do Pimentão, com base no conhecimento existente e com ênfase na prevenção de problemas

2. A criação de uma Política de Defesa Sanitária Vegetal, que garanta a prevenção de problemas e sobrevivência sustentável da cultura

3. A criação ou a adequação de programa de financiamento da FEAP para a melhoria da produção de pimentão em estufa, com a obrigatoriedade de treinamento e a adoção de Boas Práticas Agrícolas

4. A promoção de debate técnico sobre as pragas mais graves de pimentão - tripes e mosca branca, para a definição da melhor estratégia de prevenção e combate, com os conhecimentos e ferramentas já existentes.