Uma grande mudança está acontecendo nas embalagens de hortaliças e também de algumas frutas: a mudança de caixa para sacaria.

A sacaria já é utilizada tradicionalmente para a batata e a cebola.

Há algum tempo vem sendo utilizada em limão Tahiti, laranja, cenoura, beterraba.

Agora estamos recebendo outros legumes embalados em sacos plásticos como abobrinha, chuchu, especialmente do nordeste do Brasil.

As frutas e hortaliças são muito sensíveis a danos mecânicos que aceleram o seu metabolismo e a sua senescência, abrindo portas de entrada para micro-organismos oportunistas. Elas não podem ser utilizadas como apoio, como acontece por exemplo com latas de óleo. Cada embalagem precisa suportar o peso do produto e das outras embalagens na pilha.

A grande sensibilidade a danos mecânicos e o intenso metabolismo pós-colheita das frutas e hortaliças frescas exigem uma embalagem muito especial, que as proteja de danos mecânicos, permita a troca de calor com o ambiente, diminua o manuseio

A sacaria, nos países mais desenvolvidos, só é utilizada como ferramenta de identificação e de proteção contra a perda de água do produto, dentro de uma outra embalagem.

O baixo custo e a facilidade de aquisição, associados á campanha contra a caixa de madeira, tornaram a sacaria atraente como embalagem.

Entretanto a sacaria não preenche os requisitos de uma boa embalagem, que deve proteger, facilitar a movimentação, identificar e expor o produto.

O Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP mediu a qualidade de uma carga de chuchu enviada de Pernambuco em setembro de 2016.

O chuchu chegou embalado em sacos plásticos com 20 kg do produto, empilhados um sobre os outros, num caminhão carga seca. O atacadista, que recebeu o chuchu, informou que os legumes originários do Nordeste estavam sendo embalados em sacaria e que o descarte no recebimento, no caso do chuchu, era em torno de 30%.

O chuchu foi separado em dois lotes – o 1º lote foi conservado na sacaria e o 2º lote foi retirado do saco e colocado numa caixa de papelão aberta.

Na primeira abertura da sacaria os frutos apresentavam-se umedecidos e sem sinais de podridão. A avaliação foi feita todos os dias, durante oito dias.

Após 8 dias (tempo necessário para a comercialização e o consumo), a grande maioria dos frutos dos dois lotes apresentaram danos mecânicos pós-colheita (raspado, batido, amassado) – respectivamente 88 e 75%, mostrando que o sistema (sacarias empilhadas) é grande causador de danos mecânicos.

Houve grande diferença, entre o produto mantido na sacaria e o conservado em caixa de papelão aberta, na ocorrência de deterioração, podridão e bolor - 88% no 1º lote e 25% no 2º.

A ocorrência de manchas sem podridão foi maior nos frutos do 2º lote – embalados em caixa de papelão e o brotamento foi semelhante.

A proporção dos frutos ainda viáveis para comercialização foi muito inferior nos produtos conservados na sacaria (14%), que nos produtos colocados na caixa de papelão (50%).

Conclusões

O descarte de chuchu, mesmo no lote retirado da sacaria na chegada ao mercado atacadista e colocado separado em caixas de papelão, é muito grande – 50% e ainda maior nos frutos mantidos na sacaria – 86%.

O sistema utilizado destruiu o chuchu e inviabilizou o produtor, que apesar de competente na produção acaba sendo penalizado na comercialização, em virtude da má qualidade do produto, que chega ao mercado.

A sacaria não deve ser utilizada no embalamento de chuchu e de outras frutas e hortaliças, sem o suprote de uma embalagem secundária.

Aqui estão algumas fotos que mostram os efeitos da sacaria no chuchu, que carrega os defeitos mesmo depois de retirado do saco.

Foto 01. Sacaria. Na abertura da sacaria na chegada ao mercado

Foto 01. Fora. Frutos retirados da sacaria na chegada ao mercado

Foto 02. Sacaria. Depois de oito dias

Foto 02. Fora. Situação dos frutos retirados da sacaria depois de oito dias 

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP
Outubro de 2016