A importação de banana do Equador foi liberada pelo governo brasileiro, como parte da política de melhoria da abertura comercial e da competitividade do Brasil.

A avaliação da competividade de 137 países, realizada em 2017 pelo Fórum Econômico Mundial em parceria com a Fundação Dom Cabral (FDC) colocou o Brasil em 80º lugar, abaixo de países da América Latina como o Chile, Costa Rica, Panamá. México, Colômbia, Peru e Uruguai. O Brasil melhorou a sua posição de 81ª em 2017 para 80ª em 2017.   O levantamento é um termômetro do nível de produtividade e da geração de oportunidades e de sucesso para as empresas de cada país.

É consenso entre os especialistas de todo o mundo que economias abertas crescem mais rapidamente e com maior estabilidade do que as fechadas, e geram mais empregos. O comércio internacional tende a ser um catalisador para maior eficiência e produtividade.

A Câmara Internacional de Comércio (ICC) mede o grau de abertura ao comércio exterior de 75 países que, em seu conjunto, respondem por mais de 90% do comércio mundial, colocou o Brasil na 70ª posição em 2015, como uma das economias mais fechadas do mundo à frente apenas da Argélia, Paquistão, Bangladesh, Etiópia e Sudão.

O Brasil precisou melhorar a sua abertura comercial para ser aceito como membro da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O grau de abertura do Brasil em 2015 segundo o Banco Mundial (exportações + importações / Produto Interno Bruto [PIB]) foi de 27%, enquanto o México e o Chile, os dois únicos países latino-americano que hoje fazem parte da OCDE, têm índices de 73% e 60%, respectivamente.  O Brasil é também o país com menor grau de abertura dos países pertencentes ao BRICS:  a África do Sul tem grau de abertura de 72%, a Rússia de 49%, a Índia de 42%, e a China de 40%.

Os produtores brasileiros estão temerosos com a competição da banana do Equador, apesar da distância que a banana do Equador terá que percorrer até os principais mercados brasileiros e da grande produção brasileira de banana.

Os dados da FAOSTAT de 2013 mostram uma produção mundial de banana de 111 milhões de toneladas, com uma exportação de 20 milhões de toneladas – 18% da produção. A produção e exportação mundial quadruplicaram entre 1961 e 2013, enquanto que a população dobrou (133%). O consumo de banana no mundo cresceu de 5 para 7 kg por habitante (40%).  

O Equador produziu em 2013, segundo a FAOSTAT, 6 milhões de toneladas de banana, 5,42% da produção mundial e foi responsável por 27% do comércio internacional da banana. A produção de banana do Equador, entre 1961 e 2013, mais que dobrou e a exportação mais que quadruplicou. A população do Equador mais que triplicou.

O Brasil produziu em 2013, segundo a FAOSTAT, 7 milhões de toneladas de banana, 6,23% da produção mundial e foi exportou 0,5%. A produção de banana do Brasil, entre 1961 e 2013, mais que dobrou e a exportação caiu para menos da metade – de 9 para 1% da produção brasileira. A população brasileira quase triplicou no mesmo período.

Os dados do IBGE mostram uma produção de banana de 6.764.324 toneladas em 2016, distribuídas por 27 estados, sendo 54% da produção concentrada nos estados de São Paulo, Bahia, Minas Gerais e Santa Catarina. O Estado de São Paulo respondeu por 16% da produção nacional.

Os dados do IEA – Instituto de Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo mostram que 69% da produção paulista, em 2016, de 1.139 mil toneladas, são produzidas nos municípios da Região Administrativa de Registro.

Os dados do PROHORT, que registra o movimento dos ceasas brasileiros, mostram a entrada de banana de 1.167 municípios brasileiros, localizados em 110 mesoregiões, num volume de 698.659 toneladas de banana, que cresceu 18% comparado a 2007.

Os dados do IEA – Instituto de Economia Agrícola da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo mostram que 69% da produção paulista, em 2016, de 1.139 mil toneladas, são produzidas nos municípios da Região Administrativa de Registro.

Os dados do SIEM – Sistema de Informação e Estatística de Mercado da CEAGESP registrou a entrada de 63.878 toneladas de banana em 2016 no ETSP – Entreposto Terminal de São Paulo, sendo 63% da variedade Nanica, 27% da Prata e o restante da Terra, Maçã e Ouro.

O comércio internacional de banana é dominado por grandes companhias multinacionais, que começaram a sua produção nos países da América Central, em torno de 1870. O mesmo modelo foi adotado no Equador, em torno de 1950, colocando o Equador entre os maiores produtores e exportadores de banana do mundo.

Os produtores do Equador estão preparados para competir no mercado internacional.

Os produtores brasileiros estão sozinhos no imenso mercado interno brasileiro. Existem muitas associações de produtores que só conseguem bradar aos céus, não resolvem os problemas e desafios, na sua grande maioria comuns, também enfrentados por todos os outros produtores de banana

Os produtores brasileiros precisam dos Comitês de Promoção e Desenvolvimento do Produto Agrícola, organizações que permitem a governança das cadeias agrícolas, que existem há décadas nos Estados Unidos, na Nova Zelândia, no Canadá e na Austrália e têm tido uma enorme influência nos destinos e no sucesso dos agronegócios destes países.

A existência no Brasil de estruturas semelhantes é a solução para os nossos problemas de governança e auto-regulamentação setorial e uma imperiosa necessidade para a nossa atuação competitiva no mercado mundial globalizado.

O Comitê de Promoção e Desenvolvimento da Banana será uma organização de produtores, operando sob sanções governamentais, que permitirá:

  • A solução coletiva de problemas de produção e comercialização
  • O desenvolvimento de atividades de promoção do produto, pesquisa, garantia de padrões de qualidade, proibição de práticas comerciais injustas.
  • Uma estrutura de solução de problemas e de coleta de recursos para o desenvolvimento das atividades e de preparação para o futuro.

A banana do Equador será só mais um incentivo à competitividade do produtor brasileiro.

Anita de Souza Dias Gutierrez

Engenheira-agrônoma

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

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