Os produtores de frutas e hortaliças frescas consideram a comercialização o seu maior desafio. É comum que o produtor não participe da grande diferenciação de valor por qualidade e por tamanho, praticada no mesmo dia de comercialização. É difícil para o produtor compreender o que determina a sua competitividade e qual é a melhor estratégia de melhoria, onde investir para ter o melhor custo-benefício.

Preocupados com esta situação os técnicos do Centro de Qualidade em Horticultura da CEAGESP desenvolveram e testaram uma metodologia para a compreensão do processo de valoração e de monitoramento da competitividade e de apoio ao produtor na comercialização. Ela está baseada na constatação que a perspectiva de lucro e de melhoria de vida é o melhor impulso de mudança.

A metodologia foi adotada pelo “Projeto para Desenvolvimento de Capacidade para Práticas Pós-Colheita e de Marketing na Região de Jaíba”, iniciado em julho de 2012, que tem como objetivo o fortalecimento da competitividade dos pequenos e médios produtores. O projeto é o resultado de uma parceria entre a JICA (Japan International Cooperation Agency), agência do governo japonês que financia projetos de desenvolvimento em outros países, e o governo mineiro e tem como foco os produtores de atemóia, banana, limão, mamão, manga do Jaíba.

O Projeto, com previsão de término para o final de 2014, surgiu da constatação de que a comercialização é o principal desafio do produtor de frutas da região. “O governo do Japão financiou uma parte da implantação da estrutura de irrigação e vem acompanhando o seu desempenho”, esclarece André de Abreu Milagre, responsável pelo apoio à comercialização na CEASA de Contagem (MG) e técnico da equipe de Mercado da Nippon Koei LAC, empresa contratada pela JICA para a implantação dos procedimentos. Atualmente, André é responsável pela prestação de serviço de informação de mercado (Boletim de Mercado) e pelo serviço de monitoramento da competitividade do produtor. O produtor recebe ainda por SMS as cotações de preços do seu produto, todos os dias, da CEASA de Minas e da CEAGESP.

O Boletim de Mercado é composto por duas partes. A primeira parte apresenta o comportamento do produto no mercado, por região de origem, a situação atual e as perspectivas de mercado para a próxima semana, A segunda parte levanta a cada semana a diferenciação de valor por qualidade entre lotes de mesma classificação e confere nota aos seus atributos de qualidade. Ela registra a diferenciação de valor praticada e determina as suas causas.  

 A determinação e quantificação das causas e da extensão da diferenciação do valor permitem compreender com clareza a força de cada atributo no valor final do produto e indicam o caminho para a melhoria da qualidade. A metodologia pode ser utilizada na avaliação e na caracterização da qualidade do produto no controle de qualidade do produto no seu recebimento pelo atacado, varejo, serviço de alimentação, na avaliação da sua qualidade e do seu potencial de diferenciação de valor por pesquisadores – melhoristas, fitotecnistas, especialistas em pós-colheita e na arbitragem de atritos comerciais. Ela permite que o produtor avalie a sua competitividade frente aos produtos mais e menos valorizados e determine a estratégia de mudança e o custo-benefício do investimento necessário para a melhoria do produto.

 Aqui estão os resultados da comparação entre os atributos dos lotes de maior e de menor valor de mamão Formosa, entre a semana 27 de 2012 e a semana 22 de 2013 – num total de 140 caixas avaliadas. Os atributos avaliados foram: coloração da casca, coloração da polpa, conteúdo de sólidos solúveis, ocorrência de danos mecânicos, defeito de polpa, defeito de formação, homogeneidade de coloração, homogeneidade de tamanho e sanidade, seguindo um gabarito de avaliação como notas de 1 a 10 por atributo.

A diferença média de preço por qualidade ao longo da avaliação foi de 66% entre os frutos de maior e menor valor no mercado, de mesma classificação de tamanho. A maior variação foi 231% e a menor 8%. O gráfico mostra em ordem de importância os atributos responsáveis pela diferenciação de valor.

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As causas mais frequentes de desvalorização são a baixa homogeneidade de tamanho por classificação mal feita, frutos imaturos por ponto de colheita incorreto ( coloração da casca e da polpa) e danos mecânicos por manuseio incorreto - problemas de fácil solução.

A origem predominante doS lotes de mamão mais valorizados foram Luís Eduardo Magalhães e Barreiras na Bahia e Baraúna no Rio Grande do Norte e dos lotes menos valorizados foram Linhares no Espírito Santo e Jaíba em Minas Gerais.

 

Anita de Souza Dais Gutierrez – CQH/CEAGESP

André Afonso Alves – Via Pomme