O Projeto Jaíba é uma das maiores áreas irrigadas do mundo, servidas pelo Rio São Francisco no norte do Estado de Minas Gerais. A sua operação começou com o assentamento das primeiras famílias de irrigantes no final da década de 80. Um dos seus financiadores foi o Japan Bank for Internacional Cooperation - JICA.

A produção agrícola de Jaíba (municípios de Jaíba e Matias Cardoso) cresceu muito nos últimos anos assim como a participação da região no abastecimento das ceasas brasileiras.

Uma avaliação das consequências dos investimentos da JICA na região de Jaíba mostrou que a dificuldade de comercialização é um dos principais entraves ao crescimento local. O resultado foi um projeto de três anos, tendo como meta o fortalecimento da competitividade dos pequenos e médios produtores do projeto, resultado de uma parceria da JICA com o Governo de Minas -Projeto para Desenvolvimento de Capacidade para Práticas Pós-Colheita e de Marketing na Região de Jaíba’, a partir do início de 2011.

 

O ‘Encontro de Avaliação de Safra’ é uma das atividades do projeto, que reúne produtores, comerciantes, embaladores, técnicos da produção e do mercado, instituições de governo que atuam na região de produção, associações e cooperativas de produtores, outras entidades como SEBRAE, SENAR. É o momento de analisar o presente e de preparar o futuro, o que exige a compreensão com clareza dos principais problemas e desafios de cada cultura, na produção e na comercialização, e a definição de estratégias de melhoria da competitividade e sustentabilidade.

O ‘Primeiro Encontro de Avaliação de Safra’ do Projeto para Desenvolvimento de Capacidade para Práticas Pós-Colheita e de Marketing na Região de Jaíba’, aconteceu nos dias 21 e 22 de janeiro de 2013. Técnicos especialistas ajudaram a retratar a atual situação na produção e no mercado, os seus principais problemas e desafios.

Não existem dados estatísticos confiáveis de área e da produção de manga no Jaíba. O último levantamento foi feito pela ABANORTE em 2004 e mostrou uma área de plantio de 2.573 hectares.

As informações coletadas pela Seção de Economia e Desenvolvimento da SEDES da CEAGESP ilustram bem o comportamento exuberante da manga na Região de Jaíba, na ceasa de São Paulo. Aqui estão algumas informações de comercialização (CEAGESP), de destino (IMA) e da produção.

Comercialização

A oferta de todas as origens na Ceasa de São Paulo cresceu 28 % entre 2007 e 2012, quando chegou a 102.320 toneladas. O crescimento do volume, registrado entre 2011 e 2012, foi de 1%. A oferta dos municípios de Jaíba e Matias Cardoso cresceu 2,6 vezes entre 2007 e 2012. A participação % destes municípios na oferta total de manga na CEAGESP paulistana evoluiu de 1,27% em 2007 para 2,61% em 2012 e o seu volume cresceu 19% entre 2011 e 2012.

A variedade Palmer já responde por 41% do volume total de manga comercializado na Ceasa de São Paulo e a sua participação está crescendo. A quase totalidade da manga enviada pelos municípios Jaíba e Matias Cardoso é de Palmer (95%).

O estudo da sazonalidade da oferta de manga na CEAGESP em 2012 mostrou como meses de maior oferta de manga (50% do volume) - outubro, novembro, dezembro, janeiro e fevereiro. A oferta de Jaíba não acontece nos meses de janeiro, fevereiro, dezembro, sendo muito pequena em novembro. A participação da região de Jaíba foi maior que 4% no fornecimento de manga da CEAGESP paulistana em maio, junho, agosto e outubro, meses de baixa oferta.

Destino

O destino predominante da manga da região de Janaúba em 2012, que inclui Jaíba e Matias Cardoso, registrado pelo IMA, instituto responsável pela defesa agropecuária em Minas Gerais, é o estado de São Paulo, com 47% das 1.075 cargas de manga que passaram pela inspeção do IMA, seguido por Minas Gerais (30%), Rio de Janeiro (13%), Distrito Federal (5%) e outros seis estados brasileiros.

Produção

O consultor Moacir Brito Oliveira, com grande experiência na cultura e na região fez a apresentação sobre a produção de manga e aqui estão algumas das suas valiosas informações.

-        O tempo entre uma colheita de manga e outra é de 270 dias.

-        O período de indução da floração vai dos 145 até 175 dias da colheita, quando começa a floração que vai até 200 dias da colheita anterior. .O período de crescimento dos frutos é de 50 dias – 220 aos 270 dias da colheita anterior. A queda fisiológica dos frutos acontece no período entre 200 e 220 dias.

-        A produtividade de uma lavoura de manga em plena produção é menor quando a produção acontece no 1º semestre (20 toneladas por hectare) que no 2º semestre (30 toneladas por hectare), que tem um custo de produção de R$ 10.000,00 por hectare.

-        Um dos principais problemas é o colapso interno, que pode ser prevenido pelo manejo cuidadoso da nutrição mineral.

Os produtores de manga de Jaíba contam com uma situação privilegiada de produção – solos planos, irrigação, clima quente e estanque – chuvas concentradas em alguns meses, insolação alta. A produção e a rentabilidade dos produtores em 2012 foi boa.

A produção de 2013 já enfrenta problemas. Temperaturas muito altas, superiores a dos anos anteriores no período de indução floral levaram ao aborto do tubo polínico, o que impede a fecundação dos gametas femininos pelos masculinos. Alguns produtores de Jaíba estão prevendo que cerca de 50% da produção será de manguitos. O manguito é uma fruta pequena, formada pelo desenvolvimento do ovário não fertilizado. Ele deve ser descartado da planta para não concorrer com os frutos provenientes de flores fecundadas.

A produção de manga de Jaíba no ano de 2013 vai diminuir. A perspectiva é de menor produção e de frutos maiores e mais coloridos.

Manga-em-floracao

 

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