Os resultados das análises de resíduos de agrotóxicos, feitos pelo Green Peace e publicados na Folha de São Paulo no dia 31 de outubro último, não são motivos suficientes para uma campanha terrorista que assusta os consumidores e não apresenta soluções concretas.

É preciso considerar que:

  1. O ataque de pragas e doenças às lavouras diminui e pode até inviabilizar a produção e o abastecimento de alimentos
  2. Os agrotóxicos são defensivos utilizados para o controle de pragas e doenças das plantas, na ocorrência de ataque
  3. A legislação brasileira que regula a introdução, o registro, a comercialização e a utilização de agrotóxicos é tão ou mais exigente que a dos países mais desenvolvidos.
  4. O registro do agrotóxico exige a avaliação da sua eficiência agronômica, o seu efeito no meio ambiente e do seu perigo para a saúde humana. Ele é exigido por marca, para cada cultura, para cada praga e doença.
  5. O governo federal e estaduais são responsáveis pela fiscalização da obediência à legislação – Ministério e Secretarias de Agricultura
  6. O monitoramento de resíduo de agrotóxico é feito rotineiramente pelos órgãos federais e estaduais de saúde e agricultura, por institutos de pesquisa e universidades, pela ABRAS – Associação   Brasileira de Supermercados, por grandes empresas varejistas e indústrias de alimentos
  7. A existência de resíduos de agrotóxicos ‘proibidos’ (não permitidos para a cultura) não significa perigo para o consumidor. O agricultor, na ausência de agrotóxico registrado para a sua lavoura, utiliza o agrotóxico registrado para culturas com características, pragas e doenças comuns. Por exemplo, a utilização do agrotóxico, registrado para tomate, no pimentão, que pertence à mesma família botânica, mesmo com baixo nível de resíduo é proibido. A maioria das culturas que ocupam áreas pequenas, como frutas e hortaliças, sofre com a carência de agrotóxicos registrados para o combate de pragas e doenças.     
  8. O LMR – Limite Máximo de Resíduo utilizado como parâmetro nas análises de resíduo não deve ser utilizado como a única medida de risco para o consumidor. Precisamos considerar a quantidade real de resíduo (perigo) e a quantidade consumida do alimento com resíduo (risco). O LMR é uma medida agronômica que estabelece o limite do resíduo permitido, se a dose agronomicamente correta for aplicada. Existe uma grande diferença entre o perigo potencial de uma substância e o seu perigo real. Por exemplo, uma pessoa de 70 kg precisa consumir, em um único dia, mais de 68 kg de pimentão, com resíduo de Acetaprimid igual ao LMR, para que possa haver risco para a sua saúde. É preciso considerar a diferença entre o perigo da substância pura (agrotóxico puro) e o risco que o resíduo no alimento pode causar no seu consumo.
  9. Existem milhares de agricultores distribuídos por todo o país. O agrotóxico presente no alimento foi aplicado pelo agricultor responsável pela produção. A publicação generaliza os resultados para todos os agricultores e difama o produto e os bons produtores.
  10. Algumas perguntas precisam ser respondidas para uma melhor avaliação dos resultados das análises de resíduo?

1ªQual é a origem do produto? Quem são os agricultores responsáveis pelos produtos? Foram coletados 12 itens de 50 origens diferentes? As amostras foram compostas por mais de uma origem?

2ºQual foi o resultado por ingrediente ativo por cultura?

3ºQuanto do resultado se deve à ausência de registro?

4ºQual é o risco real de consumo destes alimentos para a saúde do consumidor?

5ªQuais são as provas concretas e conclusivas dos danos do agrotóxico à saúde das pessoas?

Não há dúvida que o agrotóxico pode ser menos e melhor utilizado do que é hoje e que a melhor alternativa é a prevenção da sua utilização.

Precisamos concentrar nossos esforços no único caminho para a diminuição de resíduo de agrotóxico nos alimentos - a adoção de Boas Práticas Agrícolas pelo agricultor.

Novembro de 2017

Anita de Souza Dias Gutierrez

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP