Os países mais abertos ao comércio internacional crescem mais rapidamente e com maior estabilidade do que os fechados, e geram mais empregos. O comércio internacional tende a ser um catalisador para maior eficiência e produtividade.

O Brasil ainda é um dos países mais fechados do mundo segundo a Câmara Internacional de Comércio (ICC), que ao medir o grau de abertura ao comércio exterior dos 75 países, responsáveis por mais de 90% do comércio mundial, colocou o Brasil na 70ª posição em abertura comercial.

O comércio internacional de frutas e hortaliças frescas e processadas está crescendo numa proporção bem maior que o crescimento da população. Ele cresce com a riqueza, com o PIB per capita do país.

Alguns países como o Chile são grandes exportadores e consumo interno pequeno (população pequena), onde o foco da produção é a exportação. Outros países como os Estados Unidos são grandes produtores, consumidores e exportadores. A maioria dos países grandes exportadores produzem em regiões áridas – clima previsível, baixa umidade do ar, água por gotejamento, baixa incidência de moléstias.

A fonte de informação sobre a produção e o comércio de produtos agrícolas em cada país do mundo, acessível sem custo, é a FAOSTAT http://www.fao.org/faostat/en/#data.

O Brasil é um dos maiores produtores de frutas e hortaliças do mundo. A nossa imensa diversidade de clima e solo permite a produção durante toda o ano, em diferentes regiões, de uma grande diversidade de produtos e variedades. O nosso clima, mesmo nas regiões mais secas, é caracterizado como semiárido e não como árido. A probabilidade de ocorrência de moléstias é muito maior em nossas condições de clima, o que nos torna menos competitivos.

O Brasil é um dos países mais populosos do mundo. Exportamos uma parte muito pequena da nossa produção. Um aumento pequeno no nosso consumo de frutas e hortaliças ultrapassa com facilidade o nosso volume exportado.

A exportação tem sido a propulsora da modernização da fruticultura brasileira. Os exportadores precisam atender às exigências dos importadores, oferecer o produto na janela de mercado onde sejam mais competitivos e garantir estabilidade de oferta, de qualidade, de segurança alimentar, de rastreabilidade. Grandes empresas produtoras de frutas se desenvolveram com a exportação e estão localizadas no Nordeste, clima semiárido e que está sofrendo muito com as restrições de abastecimento de água.

As informações sobre a produção de frutas no Brasil podem ser encontrados no IBGE – https://sidra.ibge.gov.br e sobre o comércio internacional em http://aliceweb.mdic.gov.br/.

A maçã era uma fruta tradicionalmente importada pelo Brasil, é um bom exemplo. O Brasil continua importando maçã, mas também produzindo muito e exportando. Os dados do FAOSTAT registram a exportação de 9.169.720 toneladas em 2013 de 115 países, sendo 21 países responsáveis por 91% do total. O Brasil é o 21º colocado, com 1% do volume exportado de maçã.

O primeiro registro de exportação de maçã pelo Brasil foi de 2 toneladas em 1985, que passou a 32.220 toneladas em 1994, tem um pico em 2004 com 153.043 toneladas e no último ano (2013) registrado pelo FAOSTAT de 85.429 toneladas – um crescimento de 27 vezes entre 1985 e 2013.

A população brasileira cresceu de 136 milhões em 1985 até 202 milhões em 2013 (40%), chegando a 209 milhões em 2017.

A importação de maçã pelo Brasil foi de 90.486 toneladas em 1985, de 48.268 toneladas em 1993 e de 93.964 toneladas em 2013 – um crescimento de 4% entre 1985 e 2013.

A produção brasileira de maçã cresceu de 288.649 toneladas em 1985, para 1.231.472 toneladas em 2013 e para 1.049.251 toneladas em 2016 – cresceu mais de 3 vezes entre 1985 e 2013.

A proporção do volume exportado tem girado em torno de 6 a 8% da produção brasileira.

A transformação do Brasil em um grande exportador de frutas exige antes a melhoria da qualidade e da competitividade das nossas frutas no mercado interno.  

Anita de Souza Dias Gutierrez

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

Março de 2018