O Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP vem realizando, desde 2005, entrevistas com permissionários e compradores do CEASA paulistano, objetivando maior compreensão e caracterização do mercado.

O levantamento da percepção do permissionário sobre o seu negócio é o caminho mais curto e eficiente para compreender o funcionamento do mercado e traçar estratégias de melhoria do nosso entreposto.

O mercado de flores do CEAGESP reúne cerca de mil produtores e atacadistas de flores, plantas ornamentais, grama e mudas, é considerado o maior do gênero no país. Participam da comercialização diariamente 7 mil pessoas. As unidades de comercialização – maço, vaso, metros de grama, torrão, mudas e outras são transformadas em quilos, para permitir a soma. Os registros do SIEM de 2016 mostram a entrada de 40 mil toneladas, no valor de R$ 252 milhões.

O foco do trabalho foram as folhagens de corte comercializadas no ETSP da CEAGESP. Ele foi solicitado pelo Professor Marcelo Ferraz da UNESP de Registro e foi realizado através de estágio extra curricular.

 O levantamento das imagens e dos dados foi realizado durante 5 dias de comercialização, as terças e sextas, entre abril e maio de 2017.

A primeira etapa do trabalho foi o registro das imagens das folhagens de corte e da denominação dada à cada folhagem. Foram feitas 207 imagens e escolhidas 34, uma imagem representativa de cada folhagem. As imagens escolhidas foram colocadas em um tablet.

A segunda etapa foi a entrevista de todos os 17 produtores e atacadistas que comercializavam folhagem de corte no dia de registro das imagens, sobre: que plantas são comercializadas, quais as suas denominações, que classificações e unidades de venda   são utilizadas, como elas são conservadas, o seu tempo de vida, quem são seus principais compradores e destinos do produto, as perspectivas futuras, os principais problemas na comercialização, o comportamento da comercialização ao longo do período de comercialização, qual a importância da folhagem de corte na seu empresa, quanto é produção própria.

 

Aqui estão alguns dos resultados;

  1. São comercializadas 32 diferentes folhagens de corte – 35 diferentes espécies vegetais, que recebem 39 diferentes denominações. Quatro folhagens recebem mais de uma denominação.
  2. O Chorão (Salix babylonica) só foi encontrado em um local
  3. O Fórmio (Phormium tenax), e o Pitosporo (Pittosporum tobira) são os mais comercializados 70% dos locais
  4. A maior parte dos entrevistados (59%) são especializados em folhagem de corte, responsável por mais de 90% do seu volume de comercialização
  5. Os outros entrevistados (41%) vendem folhagem de corte como complemento de venda, sendo as flores de corte, a sua principal fonte de renda
  6. Uma parte expressiva dos entrevistados (42%), só comercializam produção própria.
  7. O Formio (Phormium tenax) e o Pitosporo (Pittosporum tobira) estão presentes em 71% das empresas, seguidos pela Tuia Aurea (Thuja orientalis var. rosedalis-aurea) encontrada em 65% e pelo Chorão (Salix babylonica) com 6%
  8. A comercialização acontece durante o ano todo. A oferta varia com a expectativa da demanda – como datas especiais: Dia das Mães, Finados, Dia dos Namorados, Dia das Noivas
  9. A conservação das folhagens é feita somente com água sem refrigeração. Os entrevistados alertam que a água em excesso, se entrar em contato com as folhas das hastes leva à podridão. A falta de água causa amarelecimento das folhas, desidratação, seca e etc.
  10. Todos os produtos são comercializados em maços. Não existe um padrão de tamanho, como peso, diâmetro ou número de hastes ou classificação por tamanho e qualidade.
  11. Os principais destinos das folhagens de corte são os decoradores (62%) e as floriculturas (39%).
  12. O tempo de duração depende da espécie comercializada e da sua utilização. A duração pós colheita é de 10 dias. A Dracena dura 6 meses e a Hera-Smailaik 5 dias.
  13. A totalidade dos entrevistados começam a vender antes do horário, devido ao grande movimento. Existem picos de comercialização. A comercialização é alta entre 24 horas e 2 horas da madrugada, segundo 98% dos entrevistados e entre as 6 e 7 horas da manhã (59%).  O período, entre 2 e 4 horas da madrugada (76% dos entrevistados) e entre 8 e 9 horas (59%), é fraco, com pouca comercialização.

 Gráfico01.Folhagem

 Gráfico 01. Avaliação dos horários de comercialização pelos entrevistados em alta, média e pouca

 

 Tabela 01. Relação dos nomes comuns e espécies botânicas das folhagens de corte comercializadas na CEAGESP

 

 Nome popular Nome científico
Formio Phormium tenax
Pitisporo Pittosporum tobira
Tuia aurea Thuja orientalis var. rosedalis-aurea
Costela de adão Monstera deliciosa
Hera- smailaik Hedera helix
Gardenia Gardenia jasminoides
Hera-batata Hedera canariensis
Ruscos Ruscus sp.
Dracena/ Bambu-da-sorte Dracaena braunii
Eucalipto Eucaliptus cinerea
Fenix Phoenix roebelinii
Aspargo Vassourinha A. densiflorus cv. pyramidalis
LataniaLatania Livistona chinensis
Tuia Europa Cupressus macrocarpa
Areca Dypsis lutescens
Avencão Rumohra adiantiformis
Curculigo Curculigo capitulata
Pleomelia/ Canção-da-Índia Dracaena reflexa
Rafia Raphis Excelsa
Aspargo-samambaia/ Melindre Asparagus setaceus
Aspidistra Aspidistra elatior
Cheflera Schefflera arboricola
Filodendro Philodendron hederaceum
Guaricana Geonoma pohliana
Aspargo alfinete Asparagus densiflorus var. sprengeri
Cica Cycas revoluta
Espada de São Jorge Sansevieria trifasciata
Tango Solidago canadensis
Folha de bananeira Musa sp.
Jiboia Epipremnum pinnatum
Rhaphidophora/ Guaimbe-sulcado Rhaphidophora decursiva
Chorão Salix babylonica
 
As  fotos feitas pela fotógrafa Lilian Uyema Matheus da CEAGESP.
Autoria: Marina Ribeiro Mathias Duarte Barbeiro, formanda em engenharia agronômica da UNESP de Registro
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Novembro de 2017