A pesquisa, que entrevistou 1.247 atacadistas localizados em todos os pavilhões do ETSP da CEAGESP, realizada pela APESP em outubro de 2017, mostrou que 56% dos entrevistados, que responderam à pergunta, não quer a mudança do Ceasa de São Paulo para outro local e 44% são a favor da mudança. Os resultados foram ajustados com a proporção de volume de cada setor: frutas, legumes, diversos, verduras e flores.  

Entretanto precisamos considerar que:

  •  A atual localização do Ceasa de São Paulo foi muito bem escolhida – próxima das duas marginais e das rodovias estaduais e federais.
  • O destino de 76% das frutas e hortaliças, aqui comercializadas, é a Região Metropolitana, sendo 60% o município de São Paulo. O restante vai para outros municípios do Estado de São Paulo (12%) e para outros estados do Brasil(12%), conforme informações levantadas pelos técnicos da CEAGESP no início de 2017.
  •  Todos concordamos que a nossa situação é dramática. A infraestrutura é inadequada, a movimentação de produtos   caótica, a administração muito complexa e a adoção de tecnologias modernas muito difícil. A situação atual exige a criação e a implantação de um novo modelo de Ceasa.
  • Estamos, ano a ano, perdendo participação no abastecimento de produtos perecíveis frescos.
  •  A Vila Leopoldina, onde está localizado o Ceasa, é uma das regiões de maior crescimento imobiliário do município de São Paulo, o que levou à uma grande valorização do terreno onde está instalada o ETSP da CEAGESP.
  • A venda do terreno do Ceasa de São Paulo trará recursos importantes para o Governo Federal e para o Ministério da Agricultura, necessários à sua regularização financeira.
  •  O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o governo do Estado de São Paulo e a prefeitura de São Paulo assinaram acordo de cooperação técnica para a transferência da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo da Vila Leopoldina para outro local.
  •  Um chamamento público do Governo do Estado de São Paulo para a realização de estudos visando à implantação, operação e manutenção do Novo Centro de Abastecimento Alimentar em São Paulo, em parceria com a iniciativa privada – o Novo Ceasa. O prazo para a entrega dos estudos, foi prorrogado para o próximo dia 12 de março. Seis empresas estão participando do chamamento público.
  •  Parece pouco provável a permanência do Ceasa de São Paulo no local atual. Temos que nos preparar para mudar e para um novo CEASA.

É difícil copiar modelos de ceasas de outros países. O grande volume comercializado, a grande pulverização de fornecedores e origens, a baixíssima utilização de refrigeração na produção, a grande necessidade de manuseio pelos atacadistas no Ceasa são grandes desafios, não enfrentados pelos outros ceasas modernos do mundo.

Agora é o momento de levantarmos e discutirmos os nossos principais desafios e definir que CEASA queremos.

Aqui estão alguns desafios pouco debatidos e mal resolvidos na maioria dos ceasas:

1. A origem dos produtos tem sido a base para a decisão do melhor local de instalação de um novo Ceasa. Esta abordagem esquece que a maioria dos nossos usuários são os nossos compradores, que frequentam o entreposto três a cinco vezes por semana e que alguns quilômetros de distância não farão diferença para os nossos fornecedores, que já percorrem grande distâncias e cuja frequência é menor que a dos compradores.  

 2. A carga para os compradores precisa ser feita num local protegido, ser rápida e eficiente, o que não é fácil:

  • A razão entre o número de veículos de compradores e o número de veículos de fornecedores é de 6 a 7 para 1.
  • O comprador (varejo e serviço de alimentação) compra 20 a 30 itens, de dez ou mais atacadistas localizados em quatro diferentes pavilhões, três a cinco vezes por semana. 
  • O comprador gasta em torno de 6 horas para carregar o seu veículo e sair do mercado.
  • O empilhamento das embalagens e a sua unitização para carga paletizada é muito difícil – embalagens não modulares e de diferentes tipos de encaixe.
  • O comprador de verdura prepara o produto no mercado.
  • O comprador gasta tempo e ocupa espaço para a descarga e entrega de caixa vazia

É preciso pensar em centros de consolidação de carga que recebam o produto dos diferentes atacadistas, façam o controle de qualidade, a consolidação de carga e a destinação do produto a cada comprador.

 3. A administração do lixo não pode significar perda de espaço para operações de carga, descarga ou estacionamento e deve priorizar a prevenção da geração do lixo.

  • O Ceasa de São Paulo gerou 54 mil toneladas de lixo, em 2017
  • Uma parte grande do lixo gerado é resultado do produto que chega a granel como mamão Formosa, abacaxi, melancia, coco, jaca, do manuseio do produto no mercado pelo atacadista ou pelo comprador, do lixo que entra com os compradores

 Outros desafios são mais fáceis de resolver como a necessidade de docas largas, da localização das empresas nas laterais dos pavilhões, com corredor largo central, com local específico para empilhadeiras, carregadores e pedestres, como a necessidade de cada empresa ter o seu ponto de água, o seu medidor de energia e de consumo de água e condições de obediência às normas sanitárias vigentes.Muitos ceasas do mundo não possuem docas altas, o que pode diminuir muito o custo da construção.

Estamos levantando dados do nosso Ceasa, que sejam importantes para a construção de um Novo Ceasa. Estamos concluindo um levantamento sobre as câmaras de refrigeração e entrevistamos os atacadistas sobre a adequação da sua área às suas necessidades. Eles serão disponibilizados assim que concluídos.

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

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