O Entreposto Terminal de São Paulo - ETSP é um dos maiores centros de distribuição de frutas e hortaliças do mundo. O ETSP – Entreposto Terminal de São Paulo da CEAGESP, o Ceasa paulistano, é o local ideal para a coleta de informações sobre as mais diferentes frutas e hortaliças. Aqui estão representantes dos diferentes elos da cadeia – produção, transporte, atacado, varejo e serviço de alimentação, produtos das mais diferentes origens, variedades, qualidades e tamanhos.

A abobrinha é uma hortaliça com 95% de água. Ela contribui para a hidratação e para o bom funcionamento do intestino e tem em sua composição vitamina C, potássio e fósforo. É um alimento muito versátil. Pode ser consumida crua, grelhada, assada, cozida, frita e refogada. Também pode ser inserida em diversas preparações como lasanha, sopas e tortas.

Os registros do SIEM - Sistema de Informação e Estatística de Mercado da CEAGESP de 2016 mostram a entrada no ETSP de 42.710 toneladas de abobrinha. A abobrinha foi o 26º produto mais comercializado e o 29º em volume financeiro, entre todas as frutas e hortaliças em 2016.

A abobrinha foi o objeto do levantamento realizado em 2017 pelo Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP, de caracterização da comercialização através da percepção do atacadista, permissionário do ETSP: variedades, classificações, embalagens, proporções entre variedades, principais nichos de mercado, sazonalidade, principais problemas na comercialização, fluxo de comercialização, diferença de valor entre variedades, e entre as classificações em cada variedade. Levantou-se ainda a diferença sensorial de sabor, textura e odor entre classificações e com e sem virose e o rendimento (índice de aproveitamento) de cada classificação nas duas principais variedades.

A primeira etapa foi de:

  • Organização das informações do SIEM, que registra uma parte das informações das notas fiscais que acompanham os produtos que adentram o ETSP
  • Coleta das notas fiscais de abobrinha entre os dias 17 de fevereiro e 9 de março, nas segundas e sextas, um total de 561 notas fiscais, com o objetivo de avaliar a qualidade de preenchimento e coletar as informações não registradas pelo SIEM.

A partir dos dados do SIEM foi possível:

  • Escolher os 23 maiores atacadistas, dentre os 251 que recebem abobrinha, para a realização das entrevistas. Os atacadistas escolhidos são responsáveis por 57% do volume. Os atacadistas que recebem menos que 1% do volume não foram entrevistados.
  • Estabelecer que onze estados brasileiros enviam abobrinha para o ETSP, sendo o Estado de São Paulo responsável por 65% do volume.
  • Estabelecer que os municípios que mais enviam abobrinha brasileira para o ETSP são: São Miguel Arcanjo –SP (12%), Ribeirão Branco – SP (8%) e Piedade – SP (7%) e os que mais enviam abobrinha italiana são: Piedade – SP (14%), Caldas – MG (9%), Ibiúna – SP (5%) e Ribeirão Branco – SP (5%).
  • A proporção entre as variedades italiana e brasileira é de 86 para 14, ou seis vezes mais abobrinha italiana que brasileira.

A partir dos dados das 561 notas fiscais coletadas foi possível determinar que:

  • 54% não informaram a classificação na nota fiscal
  • 70% informaram a variedade
  • 46% das notas só registravam uma única classificação, 25% duas classificações, 7% três, 2% quatro classificações.
  • 25% não informaram o nome do transportador
  • 23% informaram o preço de venda
  • 92% foram preenchidas manualmente pelo produtor
  • 35% não informaram o CEP da origem
  • 35% não informaram a placa do veículo de transporte
  • A proporção entre as variedades no volume total de abobrinha foi de 79% de italiana, 18% brasileira e 3% Clarita.

A segunda etapa foi a entrevista dos principais atacadistas sobre a comercialização de abobrinha. Aqui estão alguns dos resultados:

  • A proporção entre as variedades no volume total de abobrinha é de 84% de italiana, 14% brasileira e 2% de Clarita.
  • A proporção entre o destino de cada classificação da abobrinha italiana varia com o nicho de mercado da abobrinha italiana. Os supermercados não compram a classificação 1A, que é 35% das compras de outros atacadistas, 23% dos sacolões, 23% dos feirantes e 12% das distribuidoras. A classificação 2A é responsável por 35% das compras dos supermercados, 32% das compras dos outros atacadistas, 24% dos sacolões, 42% dos feirantes e 19% das distribuidoras. A classificação 3A é responsável por 44% das compras dos supermercados, 30% de outros atacadistas, 19% dos feirantes e 10% das distribuidoras.
  • A proporção entre o destino de cada classificação da abobrinha brasileira varia com o nicho de mercado.  Os supermercados não compram a classificação 1A, que representam 35% das compras de abobrinha brasileira de outros atacadistas, 24% dos sacolões, 14% dos feirantes e 13% das distribuidoras. A classificação 2A é responsável por 31% das compras dos supermercados, 33% das compras dos outros atacadistas, 38% dos sacolões, 36% dos feirantes e 16% das distribuidoras. A classificação 3A é responsável por 44% das compras dos supermercados, 30% de outros atacadistas, 30% dos sacolões, 28% dos feirantes e 10% das distribuidoras.
  • A maior parte da embalagem é de madeira (42% na abobrinha italiana e 40% na brasileira), seguida pela plástica (34% na italiana, 37% na brasileira) e papelão (24% na italiana e 23% na brasileira).
  • Somente 14% das abobrinhas recebidas da produção não são submetidas a manuseio no mercado. Uma parte menor só passa por repasse – a retirada de produtos com defeitos graves (14%), uma parte grande (45%) passa por reclassificação e 30% passam por troca de embalagem.
  • 87% das abobrinhas comercializadas no ETSP são destinadas à RMSP - Região Metropolitana de São Paulo e 98% para o Estado de São Paulo, sendo 58% para a cidade de São Paulo, 29% para os outros municípios da Região Metropolitana de São Paulo, 7% para o interior paulista, 4% para o litoral paulista e 25 para outros estados.
  • A decisão de escolha da classificação de melhor custo-benefício precisa considerar entre outros aspectos a diferença de valor e a de aproveitamento entre as classificações. O rendimento da abobrinha italiana é superior ao da brasileira. As classificações da abobrinha italiana 3A(0,93) apresenta melhor aproveitamento que a 2A(0,92) e a 1A (0,87). O índice de aproveitamento das classificações 3A e 1A foi igual(0,86) e inferior ao da classificação 2A(0,88) da abobrinha brasileira.
  • A virose desvaloriza a abobrinha. A análise sensorial precisa ser refeita, ela não condiz com o comportamento do mercado: valorização da abobrinha mais tenra e sem virose.
  • O principal problema da comercialização da abobrinha é a ocorrência de virose, que diminui a produção e torna os frutos encarquilhados e amargos. Frutos com sintomas de virose são rejeitados. O produto é também muito perecível, sendo comercializado somente até um dia depois de sua chegada ao mercado. Em época de grande oferta (dezembro a março) os frutos perdem muito valor de um dia para o outro, com a chegada de produtos novos ao mercado.

Foi feito um teste sensorial preliminar para avaliar o sabor das diferentes classificações e entre frutos com e sem virose e não foram encontradas diferenças de sabor entre eles. O teste precisa ser refeito. Ele não reflete o comportamento do mercado, que valoriza frutos mais tenros (classificação 3A) e rejeita e desvaloriza muito os frutos com virose.

O levantamento mostrou que:

  • A comercialização de abobrinha é muito pulverizada.
  • O preenchimento da nota fiscal pelo produtor precisa ser melhorada.
  • A qualidade do produto enviado pelo produtor deixa muito a desejar – 86% exigem algum tipo de manuseio para ser entregue ao comprador.
  • A proporção de caixa plástica é grande.
  • O Estado de São Paulo é o maior produtor e o maior destino (98%) da abobrinha, sendo que a maior parte é destinada à RMSP (87%).
  • A virose é o principal problema e precisa ser prevenida na produção.

Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP

Marina Diogo Prandini Tonel – Estudante de nutrição

Patrícia Soares da Silva – Estudante de nutrição

Marina Ribeiro Mathias Duarte Barbeiro – Estudante de agronomia

Junho de 2017