O ditado é antigo, mas cada vez mais verdadeiro, mesmo com as novas tecnologias que permitem, facilitam e barateiam o contato entre as pessoas e empresas.
Entretanto, uma boa comunicação implica em compreensão plena entre os comunicantes sobre o assunto tratado.


A comunicação ainda é um imenso desafio, especialmente na negociação entre produtores e seus compradores do hortinegócio, o negócio que engloba a produção e a comercialização de frutas, hortaliças, flores e plantas ornamentais.
Existe grande diferenciação de valor por tamanho e por qualidade no mesmo dia para o mesmo produto e variedade. O valor varia, ao longo do tempo, com a oferta do produto e outros produtos concorrentes, com a demanda que depende do dia da semana, da época do ano e do mês, do clima, da situação econômica, e de outros fatores. Os desentendimentos e os atritos comerciais são frequentes, com grande fragilidade comercial do produtor.
A caracterização da qualidade e do tamanho não é mensurável. O significado de uma classificação 3A varia com a oferta, com o produtor, com o comprador atacadista. Ela mistura tamanho e qualidade. Um tomate 3A vale duas vezes mais que um tomate longa vida 1A. O tomate 3A é o mais graúdo e o 1A o mais miúdo. Podemos ter tomates graúdos machucados, manchados, com mistura de cores na caixa e tomates miúdos perfeitos. O que é graúdo e o que é miúdo? O que é qualidade ótima, boa aceitável e má? A denominação de classificação utilizada pelo mercado mistura tamanho e qualidade. Não há como caracterizar um lote de classificação 1A, segundo a sua qualidade ou mesmo garantir o seu tamanho.


O trabalho dos técnicos da CEAGESP, que hoje integram o Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento, começou em 1997 com a demanda dos integrantes das Câmaras Setoriais de Frutas e de Hortaliças da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por maior transparência na comercialização. A transparência na comercialização exige a existência de padrões mensuráveis de tamanho e qualidade - uma linguagem de caracterização do produto. A existência de uma linguagem de cada produto permite que o comprador descreva ao produtor o produto realmente desejado para cada nicho de mercado e que o produtor descreva com precisão ao comprador o produto disponível no dia.


As Normas de Classificação de Lichia foram impressas em dezembro de 2016 e estão disponíveis para que os atacadistas as enviem para os seus produtores. Elas são a linguagem de comunicação entre o atacadista e o produtor. Elas permitem a caracterização mensurável de tamanho, dos defeitos graves que não podem ser tolerados, e quantos e que defeitos leves podem ser aceitos.
O desenvolvimento das Normas de Classificação de Lichia exigiu visitas às lavouras, muitas medições, levantamento do conhecimento publicado no Brasil e em outros países e principalmente a contribuição do conhecimento de produtores e atacadistas, com quem sempre pudemos contar.


Normas de Classificação são uma ferramenta de comunicação entre o atacadista e o seu fornecedor. Elas foram desenvolvidas para 41 frutas e hortaliças, que já possuem padrões mensuráveis de tamanho e qualidade.
Elas estão disponíveis para distribuição no Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP – Sala 7 do EDSED II do ETSP, telefone 011 36433825/ 36433827 e email Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo..
Janeiro de 2017


Centro de Qualidade, Pesquisa e Desenvolvimento da CEAGESP